Desde os meus 4 anos de idade, até alguns dias atrás, morei na mesma casa. Uma casa bonita, grande, com um baita jardim na frente e uma área bem grande atrás, perfeita para festas. Mas, por ter pais um tanto quanto anti-sociais, raramente fiz festas lá, a não ser em aniversários, chamando umas 15 pessoas e assando uma carne.
Meus pais fazem uma viagem de férias todo fim de ano, variando os lugares. Eu, depois dos 17, nunca mais fui junto, sabem como é, adolescente revoltado que acha “viajar com os velhos um Programa FUNAI” (de índio). Mas sempre fui comportado e nunca exagerei na quantidade de pessoas a me visitar enquanto estava sozinho. Até um belo dia.
Sempre gostei muito de videogame, e na época eu tinha um Playstation, e era viciado em um jogo, NHL alguma coisa (não lembro o ano). Como eu tinha um acessório de colocar 4 controles, era a sensação da gurizada, sempre baixava alguém lá em casa pra jogar. Chegou o dia de meus pais viajarem: uma viagem de 15 dias para Salvador/BA. Depois do discurso de sempre de “não abra a porta para estranhos (hahaha meu, quem ainda precisa disso? Engraçado que mãe sempre fala isso), se cuide, não vá encher a cara e voltar de pileque, não caia nas drogas e se fizer sexo, use camisinha e não pegue o carro por nada neste mundo, você ainda não tem carteira de motorista”, minha mãe deixou R$150,00 comigo para gastos com alimentação (uma dieta super saudável de pizza, lasanha congelada e lanches do tipo “X-Podrão”), e lá se foram meus pais e meu irmão – na época um pequeno pivete – para a terra do axé. Prontamente liguei pro Elton, um amigo meu dos tempos de mIRC:
- E aí cara, tranquilo?
- Opa, susse, e você?
- Só na santa paz… seguinte, meus pais viajaram, tá afim de dar um pulo aqui em casa? Traz mais alguém aí, vamos jogar um truco, tomar uma gelada, sei lá.
- Fechou, logo tô aí.
Esperei o dito cujo por meia hora. Foi aí que eu percebi o tamanho da “defecada” que eu fiz. Meu, começou a chegar muita gente, gente que eu nunca vi na vida. Sem brincadeira, devia ter umas 60 pessoas lá em casa depois de uma hora de ter desligado o telefone, e dessas 60 eu devia conhecer umas 10, 15 no máximo. Dei um esporro no Elton, e ele só deu de ombros, dizendo que tinha chamado só meia-dúzia. Depois eu percebi que ele também não conhecia grande parte dos convidados. O que aconteceu foi o famoso “eu chamo um, que chama outro, que chama outro”, e no fim a merda está feita.
Cerveja rolando solta, Velho Barreiro, Pitú, vodka, whisky (a minha sorte foi que eu consegui esconder os whiskys do meu pai debaixo da minha cama, quando eu vi aquele rio de gente chegando, aí ninguém viu). E pra ajudar, as portas dos quartos não trancavam, porque as fechaduras eram velhas pra cacete, e nunca corremos atrás para arrumar. Som alto na sala, rodinha de violão na cozinha, som um pouco mais “ambiente” na área atrás da casa, músicas nos computadores de cada quarto (meus pais tinham um computador para eles, eu tinha o meu e meu irmão o dele, cada um em seu respectivo quarto). Hahaha, a festa na minha casa estava muito chique, tinha até vários ambientes. Enfim, como o leitor pode imaginar, minha autoridade dentro da casa era praticamente nula, porque 80% da festa nunca tinha me visto mais gordo. Alguém que eu nunca vi na vida gritou lá no meio:
- Piazada, vamos fazer uma “vaquinha” pra fazer uma carne?
- É, tem que comprar mais cerveja também, tá quase acabando! – alguém gritou de volta.
- Certo, R$10,00 de cada um aí, então nós vamos comprar mais cerveja também.
Depois de alguns minutos, o dinheiro estava arrecadado, foram comprar carne. Sabem aquele ditado, “se não os pode vencer, junte-se a eles”? Foi o que eu fiz. Fui no “quarto da bagunça” e encontrei o disco de assar carne que meu pai havia comprado, e um bujão de gás dos pequenos, e já comecei a arrumar tudo para um “Gengis Khan” (para quem não sabe, carne com shoyu e legumes, comida geralmente com pão). Enquanto isso eu ia me enturmando com a galera da festa (hahaha já pensou, ter que se enturmar com a galera da festa, sendo a festa na SUA PRÓPRIA CASA?)
Meus pais têm uma cadelinha lhasa apso chamada Mel (nome muito criativo, não?), e a coitada estava desesperada, encolhida em um canto. Nunca tinha visto tanta gente reunida em sua curta canina vida (ela mal tinha um ano na época). Um chupeta, de codinome “Bahia” (nunca entendi o porque desse apelido, mas tudo bem) teve a BRILHANTE idéia de dar CACHAÇA para minha cadela.
Eu percebi a brincadeira porque minha cadela estava deitada de um jeito bizarro que eu nunca vi ela fazer, e ouvi as risadas do Bahia “hahahaha eu deixei a cadela bêbada, dei pinga pra ela”, e o fedor de cachaça que ela exalava. Como era aproximadamente 02:00a.m., não ia encontrar um veterinário aberto, então fiz o que eu pude: dei muito leite pra ela, e uma amiga minha – Isadora – deu banho nela. Larguei a cachorra dormindo no meu quarto (depois de devidamente chutar todo mundo de lá), e voltei pra festa, ia levar ela no veterinário pela manhã. Eis que surge o Boros.
— PAUSA PARA FALAR SOBRE O BOROS —
O Boros é um cara que eu tinha visto uma vez na vida antes da festa, mas que depois virou um baita amigo meu. O nome dele é Rodrigo, e é chamado de Boros porque é o sobrenome dele. Eu fiz essa pausa no texto porque em 90% dos posts que eu fizer contando histórias bizarras que já aconteceram comigo, o Boros vai estar presente (acho até que ele merecia uma categoria aqui só dele). Os leitores com certeza têm algum amigo assim, que pode ser chamado de “ímã pra cagada”. É impressionante, não tem uma vez que eu saio com ele que a gente não tem história bizarra pra contar na volta. Mas, apesar disso, ele está entre os “Top 10” de amigos meus. É um irmão pra mim… abraço aí, Boros!
— DE VOLTA AO TEXTO —
Eu tinha ido de bicão em uma festa na casa dele uma vez, e conheci o dito cujo por acaso. Acho que por isso ele decidiu ir lá para a festa na minha casa, pra retribuir a “bicagem”. O cumprimentei, falei pra ele ficar à vontade (quem não estava à vontade nessas horas? Já estavam todos miando de bêbados), e voltei pra festa. Eu tinha uma “caída secreta” pela Isadora, então ficava para cima e para baixo conversando com ela, mas nunca falava da minha “atração”. Eu e ela ficamos conversando no quarto dos meus pais, até que eu ouço a pior frase que se pode ouvir em festas na sua casa:
“THIAAAAAAGO, VOMITARAM NA SALA”
Puuuuuuuuuta que pariu. Já tinham dado cachaça para a minha cadelinha, a casa inteira já estava grudenta com cerveja derramada, as paredes estavam cheias de marcas de mãos e pés (algumas marcas de pés REALMENTE bizarras, em posições que se eu contar para vocês, não vão acreditar), e agora vomitaram na sala?! Meu Genésio. Foi nessa hora que caiu a ficha da quantidade de trabalho que eu ia ter no dia seguinte pra limpar tudo aquilo. E quem me conhece sabe que eu tenho tanta perícia em limpar coisas quanto eu tenho em construir submarinos nucleares: nenhuma. Tentei apagar da minha mente a informação do vômito, e deixei lá o dito cujo. É aquela história, do chão não passa. Fui até lá fora pra ver como as coisas andavam por lá, e roubar um pedaço de carne de novo.
(continua)
Pqp…. em casa vo tenta le ateh o final…
AOEUFhAUOFhAEUOFH
Boros = imã pra cagada!
kkkkkkkkkkkkkkkkkk